Intimidades

Papo com Carol Roldan

Este sentimento que não quer calar…

A loucura que é domada não é loucura; É surto.
O quão absurdo é a abundância quando o que se tem de mais é chamado de desperdício?
O quão desperdício é desfazer-se do que se acredita que não é seu, mas que se depende para viver?
E quão dependente é aquele que vive para acreditar que nada acredita?
Quando se vive por motivo algum, este ser que nada o desperta, já está morto.
Ele não percebe que o nada já se basta como incógnito. Não se o define, mas ele está presente em todos os momentos.
Ele não percebe o quão irônico é o vazio, que nada representa, sem forma, mas que o sufoca todos os dias com sua interrogação, escuridão e silêncio.
Ele, este ser tão próximo e parecido conosco, não compreende que o desejo é a faísca da vida;
Renegá-lo é enterrar-se vivo em si mesmo;
A única forma de matar a alma.

O mês de Agosto é exatamente o meio de tudo. Talvez seja por isso que é neste meio tempo que tudo acontece. O que deve se ajeitar se ajeita; O que deve terminar, termina; E o que deve começar, começa. Transitória, a vida quando chega num momento onde não sabemos se o que está havendo significa o início ou término de algo é porque de fato, nada é de fato concreto. O que se vive é imutável em sua natureza voluptuosa e veloz.

Neste mês de Agosto, passei por tudo. Momentos que me deixaram tão confusa quanto esclarecida. Vivi em 31 dias o que se vive em um ano inteiro ( essa foi minha sensação).

Conheci um irmão de 16 anos ( estou apaixonada por ele) e revi uma avó de 99 anos que não via há 25, que me fez sentir que viver intensamente mesmo um breve momento, como se fosse o último, realmente vale a pena. Neste encontro perfeito de família, revivi toda uma infância e ainda com o bônus de um novo irmão que embora não o conhecesse até então, foi como se tivéssemos sido criados juntos.

Foi tudo tão mágico, tão lúdico!

Duas semanas depois minha avozinha veio a falecer. Foi como um passarinho! E pela primeira vez, eu não chorei pela morte de um ente querido. Ao contrário. Agradeci a Deus pela felicidade imensa que nos foi proporcionada, de termos tido a benção de passar com ela o seu aniversário de quase 1 século. Só ela poderia ter reunido pessoas de cidades diferentes, que não se viam há anos, em um só lugar. Uma despedida de honra. Um verdadeiro presente.

Se a ficção se transformasse em realidade, este foi um momento de novela. Oscar! E foi assim, depois de um turbilhão de emoções, que me dei conta: “- É, parece que continuo por aqui”. E então percebi que amudereci. Estou renovada, mas não como uma criança, como um ser humano melhor que, aos 35 anos, transmutou do ontem para o hoje, de menina para mulher.

Não tenho a intenção de falar de mim no Blog, mas minha experiência neste mês foi tão intensa que me senti na “desobrigação” de falar sobre o assunto e por isso mesmo decidi escrever, para compartilhar com vocês que me lêem, queridos, ilustres e adoráveis “estranhos”.

Demorei para “cair com a ficha” e digerir esta e outras mudanças, inclusive as de trabalho ( outra história. outra loucura) mas mesmo incerta de meu destino, tenho consciência e fé de que estou no caminho certo de ser feliz porque resolvi não temer o inevitável. Pelo menos diariamente estou confrontando meus fantasmas; E eles já não me parecem tão assustadores assim.

Estou levando de lição a cda dia que, o que vivemos e como vivemos é opção nossa e o que está acontecendo é “tudo agora ao mesmo tempo”.

Como dizia o eternizado Raul Seixas: O fim, o ínicio, e o meio.

Há tanto o que explorar sobre o assunto que nunca é o bastante falar sobre.
O caso do menino João Hélio Amaral que teve, nesta segunda, decretada morte cerebral, pelo tiro na cabeça que levou de policiais?
Não me alongarei no assunto, pois é certo de que o mesmo é pauta de todos os canais de mídia e está em todas as últimas discussões, ainda mais que o fato ocorreu logo depois da morte de outro rapaz, também por displicência.
O descaso do governo é vil, é triste, chega a ser podre.
Em que uma instituição como a nossa se baseia para “achar†que um simples pedido de desculpas em cadeia nacional vá cessar qualquer dor, que justifique sua total falta de preparo, total falta de tato, total falta de exigências que resultam na contratação de profissionais totalmente despreparados?
Se existe um culpado, este tem muitos nomes. Pois somos todos nós.
Não basta só demonstrarmos indignação. A falta de atitude contribui para a falta de impunidade. Se quisermos mudar algo deveremos mudar primeiro em nós.
É triste, revolta, mas só quem pode entender a necessidade de fazer algo, de radicalizar, de mudar, quem perde algo ou alguém de forma trágica e inesperada.
E é por isso mesmo devemos viver intensamente.
Viver cada momento, cada sensação, viver a cada suspiro!
Enquanto estamos bem e saudáveis, devemos realmente avaliar se estamos vivendo, e bem!
Uma vez tive contato com um padre, também psicólogo, que me ensinou que Viver é mais do que Sobreviver. Eu nunca escutei algo tão precioso e certo.
Contamos nos dedos quem realmente vive. A maioria de nós sobrevive.
Não deveríamos. Deveríamos nos indignar mais! Exigir mais! Reclamar mais!
Mas, não com os nossos: nossos pais, nossos irmãos, nossos amigos, nossos chefes, nossos governantes; devemos reclamar e exigir de nós mesmos! Nós somos totalmente dependentes de nós!
E por favor, tire Deus do meio dos seus problemas!
Há pessoas tão descansadas na vida que colocam Deus como o pivô de tudo. Isso para mim é desculpa de preguiçoso. O Criador tem mais o que fazer.
Onde fica o livre arbítrio? Alguém reflete sobre isso na hora de fazer merda? Sim porque depois não tem mais jeito.
Nós quem somos os mentores de nossas vidas; Somos o reflexo de nossos pensamentos que por sua vez refletem sobre nossos resultados.
Somos seres racionais, mas agimos como completos imbecis ao não agir ao próprio favor.
Sim, porque quem nunca se sabotou a uma chance de emprego? A uma chance de mudar de vida? De assumir algo ou alguém? Alguém que realmente importasse? Para quê? Por quê? Por medo?
Medo não leva a nada. A pior coisa que pode acontecer conosco é a morte. E pensando assim que sentido há em ter medo de viver?
Uma mudança de atitude desencadeia resultados tão maravilhosos. E é simples assim. Pense, INDIGNE-SE, acredite e aja.
Não há milagre, há atitude.

Quando fui convidada para participar de “Papo Intimo†a sensação que tive foi a de receber um presente. Ainda mais para participar com uma coluna sobre “Intimidadesâ€. Minhas amigas sempre me disseram que eu deveria dividir minhas experiências com outras mulheres, mas eu nunca pensei que poderia haver algum interesse sobre minhas histórias, que como toda história é feito de erros e acertos, altos e baixos, comédias e dramas.

Ultimamente, me encontro numa fase a que posso chamar de tragicômica. Há alguns anos atrás, eu não saberia levar a rotina atual de uma forma equilibrada. Continuo tendo os mesmos conflitos de antes, com a diferença de que hoje eu os encaro com mais “sabedoriaâ€. Arrisco em dizer que a melhor fase da minha vida.
Melhor porque o “meio termo†nos remete à fragilidade da alma, e a reavaliar em toda sua complexidade.

Sendo eu uma otimista nata, sigo meu caminho saltando sobre as adversidades com um sorriso cínico na cara. Não sou de me esconder por trás de uma postura forte, pelo contrário; Sou transparente e insegura, só que ironicamente, por assumir isso, transmito aos outros uma segurança e mistério sobre quem sou eu e o que quero.

É engraçado viver em sociedade. Parece que ninguém quer saber a verdade. A sensação que tenho é que as pessoas gostam de rótulos, embalagens, como se ser verdadeira fosse postura intangível, uma atitude quase lúdica, uma fantasia que vive somente no imaginário alheio.

As pessoas têm dificuldade de exporem-se, mas ao mesmo tempo em que buscam a reclusão desejam os holofotes. Desejam o reconhecimento da sociedade.

Porém, inevitavelmente, provavelmente por medo da rejeição, precisamos de uma desculpa para fazê-lo. Porque para ficarmos nus é preciso nos despir de si mesmo; é preciso ser o desejo do outro e nos deixar consumir; é preciso deixar de lado o preconceito e permitir-se ser o que secretamente ainda não se definiu.
Como andar de montanha russa, um turbilhão de emoções. Em cada curva há tanto o receio pela queda como a entrega.

Acredito que, quando as pessoas pararem de “estarem†e “seremâ€, as coisas se definirão por si.

Porque Homens são homens, mulheres são mulheres, e cada um com sua própria peculiaridade. Atitude, cor, cheiro; Anseios e covardias; Castidade e luxúria. Ninguém é mais forte ou menos fraco do que ninguém. Somos o que somos, e não somos iguais como rotulamos ser. Somos diferentes. Pronto.