Este sentimento que não quer calar…
A loucura que é domada não é loucura; É surto.
O quão absurdo é a abundância quando o que se tem de mais é chamado de desperdício?
O quão desperdício é desfazer-se do que se acredita que não é seu, mas que se depende para viver?
E quão dependente é aquele que vive para acreditar que nada acredita?
Quando se vive por motivo algum, este ser que nada o desperta, já está morto.
Ele não percebe que o nada já se basta como incógnito. Não se o define, mas ele está presente em todos os momentos.
Ele não percebe o quão irônico é o vazio, que nada representa, sem forma, mas que o sufoca todos os dias com sua interrogação, escuridão e silêncio.
Ele, este ser tão próximo e parecido conosco, não compreende que o desejo é a faísca da vida;
Renegá-lo é enterrar-se vivo em si mesmo;
A única forma de matar a alma.

sábado, janeiro 24th 2009 as 21:41
Olá!
Achei lindo este texto, mas gostaria de compartilhar com você algumas indagações. São questionamentos que aplico a mim mesma quando vou afirmar algo sem contudo ter a pretensão de achar que esclarecerei tudo para mim ou para os outros.
Bem, Buda, de quem todos já ouvimos falar, não foi um Deus é certo, pelo menos para mim, mas foi ele quem sugeriu que o desejo não deveria ser cultivado por gerar sofrimento.
Por outro lado, como você também me pergunto: o que seria da faísca da vida se não desejássemos viver, por exemplo? O fato é que não desejar viver prepara seu espírito para a morte. Não desejar comer, prepara seu espírito para a abstinência. Não desejar fazer sexo, prepara seu espírito para a solidão. São opções de vida.
Acho válido seu pensamento, mas não é a única maneira de se ver o mundo, as relações, etc. Além disso, não desejar uma coisa não significa que não se vai viver aquilo no momento oportuno. Só não haverá desespero pela ausência.
Em um mundo como o nosso em que o caos provocado pelos excessos levará à morte do planeta, cabe questionar se nosso modo de lidar com desejo, saciedade, abstinência, opulência, gozo e sexo realmente estão corretos. Cabe questionar também se nossa organização familiar está correta, se nossos valores estão corretos, se comprar um carro quando se pode andar a pé está correto, enfim.
O não desejo da vida como ela está hoje, pode levarnos não à morte de nossa alma, mas a sobrevivência de mais umas 500 gerações. Pense nisso!
Nem sempre o que o véu da ilusão nos faz pensar ser negativo é verdadeiramente negativo.
Paz e luz para você.
Um abraço.