Intimidades

Papo com Carol Roldan

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Não tem receita de bolo! Se existisse uma resposta concreta, juro que dividiria com todos vocês!

Não há respostas para as coisas do coração. Não há razão precisa sobre o que é movido pelo instinto, pela emoção. Não há barreiras que segure quem quer atravessar para o outro lado! Porque o campo do vizinho será sempre mais verde, as rosas lá sempre desabrocharão mais belas…

Porque o outro trai é impossível de se decifrar, mas saber como funciona, nem tanto. A traição é um ato egoísta, porque envolve outras pessoas, que geralmente não se conhece; E o outro não é compromisso nosso. O que é do outro é problema do outro.

Então há àqueles que interferem na vida alheia, e como uma faca cortante atravessa um casal no meio, sem se importar quem vai colher os resquícios. Quer dizer, sabemos quem vai colher: o outro. 

O ser definido como “outro” é, para mim, um paradoxo. Isso porque a traição, o ato em si, depende da percepção de quem está vivendo a situação. Há ângulos distintos, há em cada participante de um triângulo, uma história intrínseca, uma justificativa, uma razão para se estar ali.

Mas, seja o motivo que for, a traição é provocada por aquele que é traído. Calma! Não me xinguem antes de eu concluir. Eu também fui traída. Todo ser humano é. O fato de sermos humanos já nos deixa pré-dispostos à traição, de uma forma ou de outra.

Queremos mais, queremos o melhor, e na maioria das vezes, somos acomodados. Estamos seguros numa situação confortável então para que mudar isso? Só que o fato de trair já muda tudo. Seria mais fácil se fôssemos sinceros e confessássemos ao outro, nossas dúvidas, nossa insatisfação. Mas isso não acontece. Somos covardes; Ambos os lados da relação. Covarde é aquele que não fala; Covarde também é aquele que não quer ouvir.

Não sei bem se a palavra é covarde. Talvez inseguros seja mais apropriado. Outra razão para se trair. Para provar para nós mesmos que somos bons o bastante, imprescindíveis o bastante para não sermos deixados.

E há pessoas que traem por isso, para provarem algo para si mesmas; Outras para se submeterem à vontade do ego. Outras porque deixaram de acreditar que é possivel viver uma relação saudável, de cumplicidade e sinceridade. Outras que nem sabem que estão ali! E outras porque simplesmente estão de sacanagem.

O segredo é evitar a traição da maneira como ela costuma se apresentar. Sabermos quando as coisas já não são mais as mesmas e agir. Agir não é trair antes de ser traida. Isso é imaturidade!

As mulheres foram abençoadas pela intuição, mas é incrível admitir que não sabemos usá-la ao nosso favor. A traição geralmente ocorre quando não estamos prestando atenção. Mas não digo a atenção sobre o outro. A atenção deve ser dada a nós mesmas!

Estamos sempre pensando no outro. E esquecemos de nós mesmas. 

Ao mesmo tempo, não podemos prestar a nós mesmas, cegamente, exclusivamente. Devemos medir tudo como numa balança. Devemos nos dedicar a tudo com sabedoria. (Quem disse que viver era fácil?)

Uma pessoa escolhe ficar com a outra pelo o que ela representa. E a relação perdura pelo o que o casal aprendeu junto, pelo o que conquistou junto até então.

Um deve completar o outro: nas idéias, nos desejos, nos planos, um deve ser cúmplice do outro. Um casal é na verdade uma sociedade. E há crises, sem dúvida, mas quando há cumplicidade, dificilmente há traição.

Mas, se o outro decidir partir para outro desafio, outra aventura, não será você quem vai impedir. Você não precisa aceitar, não tem que ser forte, pode esbravejar e amaldiçoar, mas precisa estar consciente.

Consciente de que se dedicou verdadeiramente, de que não é vítima nem culpada. Lúcida, não pirada.

O resultado da relação é responsabilidade tanto sua quanto do outro. Se um evoluir e o outro não, se um for para um lado e um para outro, se um não sente mais desejo um no outro, não há como evitar uma separação. Só não precisa ser da pior forma, com a traição.

Não temos como evitar o desvio de um caminho trilhado de sonhos e amor, não há como evitar também o desejo por outro que não seja mais você, mas podemos evitarmos o desgaste.

Se formos inteligentes e tivermos amor próprio, a relação pode até acabar, mas certamente seremos preservadas de maior sofrimento. Pior do que terminar uma relação é sair dela sem amor próprio. Esse sim, jamais nos deixará. Este sim, é o amor verdadeiro, que jamais nos trairá. É o que vai te reerguer para continuar tentando, até acertar.

É tudo o que você precisa.