Intimidades

Papo com Carol Roldan

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04 fev

Bem que minha mãe dizia: “Nunca saia de casa com uma calcinha furada, você nunca sabe o que pode acontecer… E se você sofrer um acidente?â€

É verdade, dependendo da perspectiva, um acidente seria tão trágico quanto um blind date, quando uma noite promissora fosse por água abaixo só por causa de uma lingerie démodé.

Não sei o que nós mulheres pensamos quando aceitamos um encontro às escuras. Um encontro destes tem tudo para dar errado, a começar por você não ter conhecimento do indivíduo o qual, por livre e espontânea pressão, irá socializar-se.

Acredito que seja porque geralmente topamos nos arriscar numa aventurazinha dessas, furtivas, quando estamos numa fase de lamentação, pós-traumática de fim de relacionamento, e estamos sensíveis demais para pensar!

É completamente irracional aceitar que amigas se reúnam para deliberarem sobre o seu futuro amoroso, definindo quem é o melhor modelo de pai de nossos filhos.

Tudo em nome da amizade, certo, mas amizade é adquirida com convivência, e na convivência fica, ou pelo menos deveria ficar, implícito que há conhecimento sobre o outro. Então como explicar as escolhas desastrosas que essas doces criaturas fazem para nós? 

Nessa hora penso o quanto deveria destituí-las do posto de “amigasâ€. Mas, daí passa e vem a reflexão: “Será mesmo que nossas amigas escolhem tão mal os nossos pretendentes, pois não entendem nada sobre nosso gosto? Ou será porque estão de sacanagem? Na verdade são umas invejosas que aproveitam o momento para se vigarem da nossa arrogância de outrora, quando nos vangloriamos de estar fazendo um sexo quente e freqüente, e elas não?

Ou será que o problema está em nós mesmas? Somos nós mesmas que nos depreciamos e nos sabotamos contra qualquer e mínima possibilidade de ser feliz?â€.

Eu fiquei com a última. E é difícil aceitar porque a conclusão, o término, já é difícil de digerir. Depois que algo termina parece que fica tudo tão vazio. E é tão difícil, não entendo o porquê, é tão difícil se livrar do “antes†e partir para o “em frente  O “agora†parece tão monótono e insignificante quando nos deparamos com algo que já não existe. Mas como crer nisso se ainda está tudo tão presente? Não há coerência.

Relacionamentos vêm e vão e as experiências, boas ou não, evoluem junto com você. Se o erro persiste, reavaliar-se nunca é tarde. E se não há mais relação, é porque está na hora de parar, se dar o prazer da própria companhia. Por que não? Chorar para depois se divertir, e rir de si mesma. Cair e levantar, como diz a letra daquela música.

O desapego é uma virtude de poucos e a esperança está vulgarizada pelos preguiçosos.

Acidentes durante o percurso da vida sempre vão acontecer quando estivermos despreparados. Por isso é preciso transcender aos detalhes e curtir ao máximo.

Seja de calcinhas furadas ou feias, não importa, porque na hora do prazer, estamos pelados mesmo.

 

 

 

 

 

 

 

 

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