O mês de Agosto é exatamente o meio de tudo. Talvez seja por isso que é neste meio tempo que tudo acontece. O que deve se ajeitar se ajeita; O que deve terminar, termina; E o que deve começar, começa. Transitória, a vida quando chega num momento onde não sabemos se o que está havendo significa o inÃcio ou término de algo é porque de fato, nada é de fato concreto. O que se vive é imutável em sua natureza voluptuosa e veloz.
Neste mês de Agosto, passei por tudo. Momentos que me deixaram tão confusa quanto esclarecida. Vivi em 31 dias o que se vive em um ano inteiro ( essa foi minha sensação).
Conheci um irmão de 16 anos ( estou apaixonada por ele) e revi uma avó de 99 anos que não via há 25, que me fez sentir que viver intensamente mesmo um breve momento, como se fosse o último, realmente vale a pena. Neste encontro perfeito de famÃlia, revivi toda uma infância e ainda com o bônus de um novo irmão que embora não o conhecesse até então, foi como se tivéssemos sido criados juntos.
Foi tudo tão mágico, tão lúdico!
Duas semanas depois minha avozinha veio a falecer. Foi como um passarinho! E pela primeira vez, eu não chorei pela morte de um ente querido. Ao contrário. Agradeci a Deus pela felicidade imensa que nos foi proporcionada, de termos tido a benção de passar com ela o seu aniversário de quase 1 século. Só ela poderia ter reunido pessoas de cidades diferentes, que não se viam há anos, em um só lugar. Uma despedida de honra. Um verdadeiro presente.
Se a ficção se transformasse em realidade, este foi um momento de novela. Oscar! E foi assim, depois de um turbilhão de emoções, que me dei conta: “- É, parece que continuo por aqui”. E então percebi que amudereci. Estou renovada, mas não como uma criança, como um ser humano melhor que, aos 35 anos, transmutou do ontem para o hoje, de menina para mulher.
Não tenho a intenção de falar de mim no Blog, mas minha experiência neste mês foi tão intensa que me senti na “desobrigação” de falar sobre o assunto e por isso mesmo decidi escrever, para compartilhar com vocês que me lêem, queridos, ilustres e adoráveis “estranhos”.
Demorei para “cair com a ficha” e digerir esta e outras mudanças, inclusive as de trabalho ( outra história. outra loucura) mas mesmo incerta de meu destino, tenho consciência e fé de que estou no caminho certo de ser feliz porque resolvi não temer o inevitável. Pelo menos diariamente estou confrontando meus fantasmas; E eles já não me parecem tão assustadores assim.
Estou levando de lição a cda dia que, o que vivemos e como vivemos é opção nossa e o que está acontecendo é “tudo agora ao mesmo tempo”.
Como dizia o eternizado Raul Seixas: O fim, o Ãnicio, e o meio.