| Celulares e afins |
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Começa a sessão do filme que você esperou um ano para estrear. Na hora que ‘aquela’ lágrima vai cair, a batida de um rapper norte-americano ex-presidiário começa a tocar de forma ensurdecedora no celular do seu vizinho de poltrona. Não satisfeito, ele fala alô naturalmente, combina o próximo programa e a fileira dos fundos indignada faz um sonoro ‘shhhhhhh’. Situação comum, não é? Comum sim, agradável não. Tão ruim quanto os maus hábitos são as advertências em volta, que trazem desconforto, causam brigas e, se forem no trânsito, já geram até mortes. Com a invasão de eletro-eletrônicos, é hora de pensar nas regras para o bom uso de todos os tipos de aparelho no convívio social. O especialista em comportamento e etiqueta Fábio Arruda, diz que o maior erro é achar que se está absolutamente sozinho. “O problema não é usar o celular em si, é como e onde usar. Eu costumo dizer que é como escovar os dentes no carro. Não é o momento, não é o lugar. As pessoas devem aprender que temos que dividir o espaço da melhor maneira possível”, ilustra Fábio. Para ele, as mulheres caem no erro de conversarem qualquer coisa em qualquer lugar pelo celular. “As mulheres que têm uma vida profissional são mais preocupadas em evitar conversas frugais fora de ocasião. Já estão mais habituadas a lidar com isso do que aquelas que não trabalham fora – o que não é problema nenhum, mas como não estão inseridas em um ambiente social mais regrado, mais rigoroso, se permitem atender papinhos de amigas independente do lugar que estejam. Mas temos todos que lembrar que o convívio social também é um exercício de boa educação”, explica. Os homens também estão na lista dos “grosseiros tecnológicos”, mas por erros diferentes. Eles ficam presos a smartphones ou blackberrys, seja verificando e-mails, entretidos com games ou enviando mensagens MMS ou SMS. Mas o drama de quase toda mulher é no jantar a dois. O homem desembolsa vários aparelhos e os coloca sobre a mesa. Fábio Arruda se espanta com esse comportamento e dá logo a solução mais diplomática: “Que homem é esse?! Agora, se você sabe que seu marido ou namorado faz isso, é preciso combinar antes. Você deve ter uma conversa particular, explicar o quanto é feio e o quanto desvaloriza a companhia que está com ele e que é de uma extrema falta de educação. Mas isso em casa. Nenhum tipo de advertência dessa natureza deve ser feita em público, porque sempre vai gerar um desconforto, não tem jeito. Na verdade, é quebrar a cadeia de atos errados. Tudo o que é revidado negativamente dá resultado negativo. Não quer dizer que as ações positivas dão resultado imediato, mas deixam a semente e o uso contínuo dá frutos”. Na rede de serviços, até os clientes sofrem com a presença dos aparelhos. “Não há falta de educação maior que você achar que pode esquecer o outro. Com esses ipods, MP3, MP4, 5, 6, as pessoas se perdem completamente. Eu já vi caixas de banco com fone de ouvido! Não adianta dizer que está baixinho, só o fato de estar com aquilo nos ouvidos é de uma falta de respeito sem tamanho. É uma espécie de: Dane-se o mundo!”. Como é difícil saber como agir de forma polida em todas as situações, Fábio ensina a regra de ouro para o uso de celulares e demais eletrônicos: “Você deve saber que tudo que é portátil está invadindo o ambiente das pessoas. É um item não esperado, que entra sem ser convidado, por isso é preciso remontar à época, não tanto tempo atrás, em que era normal não atender telefone com visitas presentes ou durante as refeições. É respeitar e viver cada coisa no seu momento. É pegar essa regra e ampliar para esses aparelhinhos que andam com você. Você deve aproveitá-los para melhorar sua vida, porque eles de fato ajudam, seja com contatos profissionais ou pessoais. Mas sempre lembrar que a máquina é não pode ser mais importante que o humano”. Sábio, não? |