| Um pouco de paz |
![]() Quem já não teve vontade de sair da própria cabeça para se livrar das preocupações, dos medos e do estresse? Principalmente nos grandes centros, com excesso de violência, poluição e barulhos, a mente fica sobrecarregada. Muitos dos distúrbios relacionados a vida moderna podem ser controlados logo no início de suas manifestações com cuidados diários. Assim como no corpo, é preciso exercitar a mente de forma adequada para que ela permaneça saudável. Você pode começar controlando a entrada e a recorrência de informações e pensamentos que só fazem mal. Mas é possível controlar a própria mente? De acordo com o médico psiquiatra e psicoterapeuta, Luiz Scocca, sim. “Basta que nos lembremos, como exemplo extremo, de certos iogues que têm tal poder sobre a mente que estendem seu estado de meditação por dias, controlam funções orgânicas, etc. Mas mesmo pessoas que não praticam tal arte podem controlar razoavelmente os pensamentos e a respiração de modo a controlar seus medos e o nível de estresse e ansiedade. É uma prática que pode contar com a ajuda da terapia cognitivo-comportamental para obter tal controle”, explica o doutor. ![]() O cérebro é uma “máquina” poderosíssima que pode ser usada a nosso favor. Uma das melhores formas é analisar a origem dos nossos problemas e solucioná-los de dentro para fora, de acordo com o psiquiatra: “Podemos aprender a identificar crenças que temos a respeito de nós mesmos e dos outros, conhecer os pensamentos automáticos e as estratégias compensatórias geradas por estas crenças e alterá-los”. Maus pensamentos podem invadir a mente sem aviso e deixar qualquer pessoa atordoada. Mas é possível impedir que eles proliferem a ponto de gerar algum tipo de transtorno como fobias e até ataques de pânico. Doutor Luiz ensina que ninguém consegue ser “Poliana”(personagem da literatura que só via o lado positivo das coisas), mas com exercícios constantes é possível ter uma mente mais otimista. “Não podemos negar a existência de problemas, mas devemos cultivar pensamentos positivos e evitar certas situações propiciadoras de maus pensamentos. Um exemplo são os pensamentos que ocorrem de madrugada quando eventualmente despertamos. Não servem para nada, e de manhã percebemos que muito do que pensamos foi inútil. Nestas situações o controle dos pensamentos ou a indução do sono é o melhor a fazer. Interromper o pensamento ruim com um gesto de força física é um exemplo de treinamento empregado, e que depois vai sendo introjetado pela pessoa até que não precise mais fazê-lo”, detalha o médico. Embora, pareça uma luta, ninguém precisa ver o próprio cérebro como adversário. Mudar hábitos pode ser o início de uma mente sadia e livre de maus pensamentos. Isso requer compromisso pessoal com própria qualidade de vida. “Mudanças para hábitos saudáveis talvez sejam a grande dificuldade para nós, cosmopolitas. Mas devemos lutar por melhor qualidade de vida, incluindo exercícios físicos, alimentação saudável, boa condição de trabalho, ler bons livros, cultivar amizades, cultivar a religiosidade. Todos precisamos de lazer tanto quanto precisamos de descanso ou comida. Isso não pode faltar e não deve limitar-se ao futebol na TV ou ingestão de álcool. E não podemos esperar do outro (cônjuge, pai e mãe) que façam isso por nós. É uma luta pessoal, tanto quanto sua formação escolar ou seu trabalho, você tem de construir sua qualidade de vida”, conclui, doutor Luiz. |