| Sogra amiga |
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Nem tudo na vida dá para mudar, mas há coisas que a gente pode ir com jeitinho consertando. Nenhuma mulher precisa entrar numa briga eterna com a mãe do namorado ou do marido. Ter uma visão mais compreensiva e generosa pode ser bom para todos. A mulher ganha uma aliada, uma segunda mãe. O marido sai do meio do fogo cruzado e a sogra não se sente desprivilegiada. O conceito de sogra-megera é antiquado e equivocado. Para a psicoterapeuta, Denise Mondejar Molino, “esses preconceitos são banais, superficiais e derivados da cultura que "elege" as sogras, as madrastas, os homossexuais, os negros eventualmente, como depositários das nossas mazelas, dos nossos pontos cegos, das nossas infantilidades nos relacionamentos”. Quando se trata da sogra do homem, a situação é cômica. Faz-se piadas, arruma-se apelidos, mas quando o assunto é a sogra da mulher, o clima pesa. Os problemas têm duas origens. Há mães que não aceitam o relacionamento do filho por acharem que estão sendo substituídas. Daí surgem os comentários maldosos de que com ela o filho era mais saudável, mais bem cuidado, que comia melhor; muitas até evocam as ex-namoradas, fazem comparações, tudo para tirar o mérito da atual. A verdade é que mãe que atormenta o filho com cobranças e aborrecimentos pode acabar estreitando a relação do casal. Em certas ocasiões, isso faz com que o filho prefira a esposa e não mais a mãe. Em outros casos, é a nora que entra “armada” na relação, com respostas na ponta da língua. Totalmente vacinada contra a sogra e não quer nem saber A psicoterapeuta e consultora de relacionamentos, Sônia Blota Belotti, atribui esse comportamento à disputa de território e emoções mal controladas e mal comunicadas entre elas, a raiva, a mágoa e a inveja, que compõem a trilogia do ciúme. O ciúme é um dos sentimentos que atrapalha a relação sogra/nora. Qualquer pessoa pode sentir ciúmes. Dependendo da intensidade ele pode até ser saudável, diz a psicoterapeuta. “Porque a função dessa emoção é, no fundo, o desejo inato que todos os seres humanos têm de possuir e manter a sobrevivência de tudo que atende suas necessidades básicas: segurança, afeto etc. Se a mãe ama seu filho, vai sentir-se ameaçada até que o amor pela nora se iguale ou Denise Mondejar Molino acredita que o “ciúme tem a ver com posse e não com zelo, de modo que quanto mais uma mulher for bem resolvida com seu casamento, vida pessoal e amorosa, tenha vivido seus talentos, realizado, menor a possibilidade de ser tomada de ciúmes doentio por seu filho”. “Hoje já se sabe através de pesquisas que uma parte do componente do ciúme é biológica: toda fêmea, terá ciúme de outra fêmea, a quem ela imagina não poder controlar, (que seria o caso da sogra em relação à nora). O amor do homem por cada uma, mãe e esposa é diferente, mas a emoção que elas sentem, o ciúme, é muito parecida e precisa ser compreendida e trabalhada por cada uma delas à sua maneira”, Sonia Blota Belotti. Quando as duas mulheres envolvidas conseguem crescer emocionalmente e percebem que cada uma tem o seu próprio espaço, a competitividade pode ter fim. Deve-se evitar agressões e primar pelo diálogo sincero estabelecendo limites para que o casal fique preservado e os laços amorosos entre mãe e filho se mantenham sem mágoas.
Sonia Blota Belotti é psicoterapeuta, radialista, Coach, Mastre Trainer em PNL, consultora de relacionamentos, autora do livro Tocando a Vida, editora do portal de conteúdo www.teias.com.br, especialista em Dinâmica de Grupos e Sexualidade
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