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Hello, Wall.e!

Por Patrícia Grosman

O tempo em que se passa a história de Wall.e, lançamento em animação do estúdio Pixar, é o futuro, o ano 2700. Mas o tema é atualíssimo e urgente. A terra ficou tão suja e poluída que se tornou um planeta inviável para a sobrevivência humana. Resultado: os homens embarcaram numa imensa nave, chamada Axiom, e se mandaram. Vivem circulando a terra esperando literalmente a poeira baixar, ou seja, o nível de toxinas diminuir, para poderem voltar.

Wall.e, abreviação de Waste Allocation Load Lifters - Earth Class, é o último dos robôs operacionais enviados para a superfície da terra a fim de ajuntar a sujeira. Mais especificamente, é um simpático gari.

Ele passa 700 anos recolhendo todo tipo de tralha, e aguardando o retorno de Axiom e dos seres humanos. A curiosidade de Wall.e sobre os hábitos dos homens gera cenas engraçadíssimas, singulares.

Aliás, durante cerca de 20 minutos apenas o robô fica sozinho na tela. Depois, acompanhado de sua barata de estimação Spot, ele protagoniza diversas confusões até a chegada de EVE, ou Eva, uma robô por quem se apaixona. Um encontro conturbado, como na maioria dos romances. É por meio de um filme que Wall.e conhece este sentimento tão humano, o Amor. Ele encontra uma fita de “Hello, Dolly!” e a assiste inúmeras vezes.

O argumento de Wall.e nasceu durante um almoço entre a equipe da Pixar, que estava encerrando os trabalhos de produção do primeiro Toy Story. O almoço se transformou numa brainstorm e, naquele momento nasceram “Vida de Inseto”, “Monstros S.A”., “Procurando Nemo”... O mundo precisa de mais almoços como esse!

Apesar de parecer uma história politicamente correta e uma alerta para o homem moderno, para os produtores, a história é apenas a saga do último robô do mundo. O lixo é apenas uma justificativa plausível para a ausência humana. Nada de mensagem política, nem mesmo engajamento ecológico. Claro que no desfecho os homens retornam ao planeta, mas no final das contas, isto é apenas um detalhe.

Apenas no primeiro fim de semana de exibição, Wall.e arrecadou US$ 62 milhões nas bilheterias americanas e US$ 1,6 milhão no Brasil, onde há 320 cópias, apenas 10 legendadas. Nem mesmo diante da mega arrecadação, o presidente dos estúdios Disney, Mark Zoradi, quis anunciar o custo de produção.

Oscar? Num ano em que poucas produções têm despontado como grandes apostas para a próxima edição do Oscar, a sétima arte estava mesmo precisando ser balançada. De acordo com a crítica internacional, Wall.e pode disputar a estatueta de melhor filme.

A não ser pelo “Changeling”, de Clint Eastwood, estrelado pela bela Angelina Jolie, ou pelo “Batman: The Dark Knight”, que traz Heath Ledger no papel do vilão Coringa, e tem estréia mundial marcada para 18 de julho, nada muito interessante nesta temporada cinematográfica. A propósito, dizem que Ledger, encontrado morto em janeiro na cidade de Nova Iorque, roubou talentosamente a cena. Pode até mesmo receber uma homenagem, um Oscar póstumo.

Os mais implicantes podem argumentar que se trata de uma animação computadorizada, mas a história de amor do pequeno robô Wall.e é emocionante. O filme fala mesmo de sentimentos e aponta para a necessidade de agir com o coração. Embora Wall.e seja uma máquina tem muito a ensinar aos que o forem assistir. Impossível não se contagiar por ele.

 
   
     
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