| Passagem fechada |
Por Patricia Grosman O resultado de uma pesquisa publicada pela revista científica britânica “Nature Biotechnology”, em junho, mostrou como uma equipe de pesquisadores da Universidade da Pensilvânia (EUA) conseguiu anular a ação destruidora do vírus da Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) sobre as células T, um tipo de leucócito. Os leucócitos são os glóbulos brancos do sangue, responsáveis por combater os microorganismos causadores de doenças. São como super-heróis da corrente sangüínea: capturam o inimigo ou criam anticorpos. Por isso que, quando alguém tem alguma infecção, com inchaço em um gânglio (as populares ínguas) já se sabe que algo está errado e isto é resultado da ação dos leucócitos. Os pesquisadores conseguiram com que a célula T se tornasse resistente aos ataques do HIV modificando um gene, chamado de CCR5. Este gene é o responsável pela criação de um receptor, uma substância, que fica na superfície da célula T permitindo que o vírus a invada. Ou seja, uma porta. Bloqueando esta passagem, por meio de uma enzima que provocou as modificações genéticas no CCR5, os pesquisadores queriam comprovar o que haviam notado em indivíduos que já possuem naturalmente estas alterações genéticas: aqueles que nascem com mutações no CCR5 demonstram uma resistência natural à infecção pelo HIV. Segundo os pesquisadores, “trata-se de um tipo de endonuclease com dedos de zinco, capaz de ‘cortar’ o DNA em determinadas regiões dos cromossomos, que conseguiram interromper sua atividade nas células T com uma especificidade muito elevada”. Foram realizados testes em provetas e em ratos de laboratório. Na lâmina de cultivo foram misturadas células normais e células modificadas e acrescentados os vírus da Aids. Resultado: as células modificadas sobreviveram mais. No caso dos ratos infectados, os que haviam recebido um transplante de células T modificadas tiveram uma carga viral menor e um maior número de células T que o restante. A descoberta, segundo os pesquisadores, pode contribuir para o desenvolvimento de tratamentos clínicos nos quais as células T de um indivíduo soropositivo sejam alteradas e recolocadas no paciente, reforçando assim seu sistema imunológico. Com informações da Agência Efe |